Os presidentes executivos do BCP, BPI e Santander Portugal, bem como o vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos foram unânimes em defender a reforma laboral do Governo, nomeadamente no que toca à flexibilização dos despedimentos.
O pacote laboral apresentado pelo governo PSD/CDS, que tem o apoio do Chega e da IL.
Na 8ª conferência Banca do Futuro, do Jornal de Negócios, em Lisboa. Num painel one-to-one, intitulado os Desafios Estratégicos da Banca Portuguesa, o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa disse ser “altamente favorável a um mercado de trabalho um pouco mais livre”.
“Mas com obrigatoriedade de compensação às pessoas pela qual deram uma vida de trabalho a uma organização. As pessoas devem ser compensadas por isso” e assegurou que o BPI “felizmente, teve sempre capacidade de compensar devidamente as pessoas”.
“Muitas vezes nas empresas há gente que não está alinhada, que não quer, não puxa carroça, e temos uma lei que protege, por vezes, o que não quer fazer nada”, disse o presidente da comissão executiva do BPI, acrescentando que “todos nós temos de ser mais produtivos”.
“Agora, eu não posso ficar agarrado a pessoas. Além do mais, nós temos que dar oportunidades a novos talentos, a novas formas de pensar, a novas maneiras de desafiá-los com outros estilos, com outras formas de ver o mesmo problema. Eu considero que há a evolução das próprias pessoas, considero que as pessoas conseguem fazer outras funções”, acrescentou.
“Nós estamos a competir ao nível do mercado completamente aberto e o Bloco Europeu, a comparar com os restantes, tem regras e cristalizações que tornam a competição difícil”, disse o banqueiro que considera no entanto que o pacote laboral não é a prioridade do país.
Depois veio Miguel Maya, CEO do BCP, também veio defender a flexibilidade nos despedimentos para as empresas poderem ajustar o quadro de pessoal e considera que “é determinante para o futuro”. Mas essa medida deve vir acompanhada de “uma rede de suporte social que assegure que estas pessoas que perdem o emprego tenham condições”.
Depois a vez de Francisco Cary, vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos. Sobre a lei laboral que vai levar a uma greve geral no dia 11 de dezembro, disse que “não faz sentido comentar aspectos específicos da proposta mas o considero que alguma flexibilização com equilíbrio na legislação laboral que permita às empresas serem mais competitivas, até porque e maior parte delas está a competir num mercado mais global e essa flexibilidade trará mais crescimento para as empresas e esse crescimento acaba por se traduzir em mais crescimento para o país, e no final todos poderemos ganhar com isso. Também concordo que no final todos poderemos ganhar com isso”.
O momento é o do quase pleno emprego e e mais fácil fazer reformas quando as coisas estão bem”, defendeu o vice-presidente da Caixa.
O último a defender o pacote laboral do Governo foi Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal.
“Sobre a mudança da legislação laboral eu não colocaria no topo das prioridades, mas legislação laboral tem de mudar, tem de evoluir, tem que ser mais flexível”, disse o CEO do Santander Totta que considera que é preciso adaptar a legislação aos tempos modernos.
“O que há é um ruído enorme. Faz-me lembrar, às vezes, o caso de França, ou pior ainda, do Reino Unido, que são economias onde se percebe que a tendência para os próximos 10 anos não vai no bom sentido, são tendências negativas. Nós temos, por exemplo, em França, onde uma discussão de passar a idade da reforma dos 62 para os 64 anos, até 2030 de uma forma gradual, fez cair o Governo”.
Agora “se quisermos ficar como estávamos nos anos 70, é uma opção” disse, acrescentando que “se não queremos sequer discutir o assunto de uma forma correta, dizendo logo que ‘vamos fazer greve’, penso que também não ajuda”.




