A Deblock, a plataforma de autocustódia, arrecadou 30 milhões de euros numa ronda de investimento Série A. O investimento foi liderado por Speedinvest, Latitude e CommerzVentures, com a participação de Shapers, Headline, Chalfen Ventures, Kraken Ventures e outros.
Em 2026 a Deblock pretende criar o primeiro banco totalmente “on-chain” em Portugal, gerindo pagamentos, poupanças e empréstimos diretamente na blockchain. O que promete ser mais uma dor de cabeça para os bancos tradicionais que se têm queixado do “bancos fora do sistema”.
Para se tornar no o primeiro banco totalmente “on-chain” em Portugal a Deblock irá inovar em cinco frentes estratégicas: “Inteligência Artificial, Open Banking e finanças integradas, tokenização de ativos, novos produtos de crédito e pagamentos, e subscrições de valor acrescentado, identificando quais serão decisivos a curto prazo para impulsionar o crescimento”, revela a fintech.
Um banco totalmente on-chain é um conceito relativamente novo que combina a estrutura e os serviços de um banco tradicional com a tecnologia blockchain e as finanças descentralizadas (DeFi). Basicamente, significa que todas as operações principais do banco ocorrem diretamente na blockchain, em vez de dependerem exclusivamente de sistemas bancários centralizados.
“Esta abordagem abrangente permitirá à Deblock oferecer uma experiência bancária segura, eficiente e centrada no cliente, combinando a inovação das finanças descentralizadas com a confiança e a regulamentação da banca tradicional, num contexto em que evitar riscos macroeconómicos complexos e a volatilidade exige construir um serviço o menos dependente possível do sistema financeiro tradicional”, acrescenta.
A Declock é uma fintech francesa que integra uma conta à ordem tradicional em euros com uma carteira de criptomoedas sem custódia (non-custodial) numa única interface.
A Deblock é regulada como Entidade de Dinheiro Eletrónico e foi a primeira fintech a receber uma licença MiCA da AMF (Autorité des Marchés Financiers).
Apesar da sua sede estar em Londres, a empresa também mantém operações e uma equipa em França. A Deblock é regulada em França, sendo licenciada como uma instituição de dinheiro eletrónico pela Autoridade de Controlo Prudencial e de Resolução (ACPR) e como prestadora de serviços de ativos digitais (DASP) pela Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF).
Foi fundada por quatro ex-executivos da Revolut e Ledger – Jean Meyer, Adriana Restrepo, Aaron Beck e Mario Eguiluz, a Deblock descreve-se como “a primeira conta corrente que integra uma carteira cripto, combinando a simplicidade da banca moderna com a inovação Web3”.
Os clientes recebem um IBAN personalizado, cartões Visa físicos e virtuais e uma verdadeira carteira cripto numa única conta unificada, o que lhes permite efetuar pagamentos (via SEPA ou cartão), investir diretamente na blockchain e aceder sem fricção a serviços financeiros descentralizados, explica a empresa.
“Um banco on-chain oferece transparência e eficiência: todas as transações são publicamente auditáveis e podem ser automatizadas através de contratos inteligentes, reduzindo custos e tempos de operação. Isto permite que os clientes utilizem ativos digitais com a mesma facilidade dos produtos financeiros tradicionais, mas com maior controlo, segurança e acesso a serviços inovadores de DeFi”, salienta a Deblock.
Tom Filip Lesche, sócio da Speedinvest, destacou que “a equipa da Deblock tem uma visão muito clara do que quer construir e uma capacidade de execução excecional até agora. Estamos entusiasmados por acompanhá-los nesta fase de expansão para novos mercados europeus.”
Por sua vez, Paul Morgenthaler, sócio-diretor da CommerzVentures, explicou o seu apoio nesta ronda afirmando que “a equipa fundadora da Deblock combina um profundo conhecimento tecnológico em cripto e conformidade regulatória com muitos anos de experiência na construção de produtos financeiros escaláveis, posicionando-os idealmente para estabelecer com sucesso a ligação entre o cripto e a banca fiduciária moderna.”
“Deblock faz com que as criptomoedas fluam naturalmente ao lado do dinheiro que os consumidores já utilizam, dentro de uma aplicação única e inovadora. Esperámos mais de uma década para que alguém construísse algo assim, e a velocidade e precisão desta equipa são excecionais”, afirma Julian Rowe, sócio na Latitude.
Consolidar a presença em Portugal
A empresa já tinha realizado duas rondas de financiamento anteriores, num total de 26 milhões de euros. “O financiamento da Série A chega após um crescimento excepcional em 2025 e servirá para reforçar a presença da Deblock em Portugal”, explica a fintech.
Para 2026, a empresa tem no seu roadmap um plano de expansão para quatro mercados-chave: após a abertura em Portugal, seguir-se-ão Alemanha, BeNeLux e Itália, com uma estratégia focada na localização do produto e adaptação à regulamentação e preferências de cada país.
“A empresa irá contratar talento local, localizar o seu produto, reforçar as suas estruturas regulatórias e de compliance e ampliar as operações de atendimento ao cliente em português”, assegura a Deblock que lançou o mercado português em março de 2025 e que pretende usar os novos fundos para “localizar o produto e ampliar ainda mais a aquisição de utilizadores”.
“O nosso objetivo é oferecer uma forma clara e segura de usar tanto euros como ativos digitais no dia a dia, sem comprometer usabilidade nem propriedade”, afirma Mario Eguiluz, cofundador espanhol da Deblock, acrescentando que “Portugal desempenha um papel fundamental na definição do que pode ser uma experiência bancária totalmente on-chain, e estamos comprometidos em torná-lo um dos nossos principais mercados na Europa”.
Os investidores sublinham que, com a Deblock, os clientes mantêm sempre total controlo sobre os seus ativos digitais graças à autocustódia.
A Deblock está a construir a ponte definitiva entre o mundo cripto e a banca tradicional em moeda fiduciária.
“A sua proposta permite utilizar ativos digitais com a mesma simplicidade dos produtos bancários clássicos: transferir, investir e gerir fundos de forma eficiente, sem necessidade de compreender a complexidade técnica ou os protocolos subjacentes”, referem os investidores.
“Esta integração sem fricção oferece uma experiência regulada e familiar, abrindo o acesso às finanças descentralizadas a um público muito mais vasto”, acrescentam.




