Segundo o relatório da Alvarez & Marsal, citado pelo banco de investimento norte-americano Jefferies, a desregulação poderá libertar 2,6 triliões de dólares para os bancos sistemicamente importantes globais, os designados G-SIBs.
“À medida que continuamos a explorar as implicações da desregulação para os investimentos , recebemos Fernando de la Mora, Co-Head de Serviços Financeiros da Alvarez & Marsal”, diz o Jefferies que descreve os pontos principais. O primeiro é a libertação de capital de 2,6 triliões de dólares é impulsionada por uma redução de 15% no CET1. O segundo é que o impacto centra-se nos grandes G-SIBs (Bancos Sistemicamente Importantes Globais). O terceiro é que a libertação de capital impulsionará empréstimos, fusões e aquisições e investimentos em tecnologia. O quarto é que o Reino Unido seguirá com reformas mais pequenas e mais lentas. Por fim o quinto é que os bancos da UE/Suíça enfrentam regras mais rigorosas, limitando o potencial de crescimento.
De acordo com a Alvarez & Marsal, prevê-se que a desregulação bancária nos EUA liberte 2,6 triliões de dólares em capacidade de empréstimo para as grandes instituições financeiras. Esta libertação de capital é impulsionada por uma redução de 15% nos requisitos de Capital Principal Nível 1 (CET1) (168 pontos base) e equivale a 16% do total dos ativos bancários dos EUA, ou metade do tamanho do balanço do JPMorgan.
“As reformas já são visíveis, com os bancos americanos a aumentarem os seus ativos ponderados pelo risco em 10% ao ano no terceiro trimestre de 2025 e grandes bancos como o JPMorgan, Goldman Sachs e Wells Fargo a anunciarem empréstimos em larga escala, fusões e aquisições e objectivos de rentabilidade mais elevados. A maioria destas alterações será implementada até 2026, com os bancos a reduzirem as reservas de gestão e a realocar capital”, refere o Jefferies.
As reformas regulatórias pós-crise financeira afetaram predominantemente os maiores bancos globais, conhecidos como G-SIBs (Global Systemically Important Banks). De acordo com a Alvarez & Marsal, o impacto da desregulação centra-se nestes grandes bancos sistemicamente importantes de âmbito global (G-SIBs).
As reformas visam principalmente os maiores bancos dos EUA e do Reino Unido, que estão sujeitos aos requisitos mais rigorosos de capital e alavancagem. Os bancos regionais e de menor dimensão são menos afetados, uma vez que não enfrentam as mesmas restrições vinculativas decorrentes requisitos de capital para situações de stress, almofadas para G-SIB ou regras de alavancagem. Espera-se que a libertação de capital para os G-SIBs deverá impulsionar um aumento de 6% no retorno sobre o capital investido (ROTC) para os bancos dos EUA e de 3% para os bancos do Reino Unido. Esta concentração de benefícios irá reforçar a posição competitiva dos maiores bancos nos mercados globais, defendem os analistas.
De acordo com a Alvarez & Marsal, espera-se que os grandes bancos apliquem o capital recentemente libertado em empréstimos, fusões e aquisições (M&A) e investimentos em tecnologia.
“O JPMorgan anunciou uma meta de crédito de 1,5 triliões de dólares para segurança e resiliência, incluindo 0,5 triliões de dólares em novos empréstimos e 10 mil milhões de dólares em investimentos em ações. O Goldman Sachs utilizou o capital excedente para uma aquisição e continua a dar prioridade ao reforço da sua atividade junto dos clientes, enquanto o Wells Fargo e o Bank of America elevaram as suas metas de rendibilidade e reduziram as reservas de gestão”, refere o Jefferies.
A libertação de capital está também a suportar um aumento anualizado de 10% nos activos ponderados pelo risco, especialmente nos bancos de empresas e de investimento. É provável que os bancos priorizem o crescimento orgânico, as aquisições estratégicas e os investimentos em IA e infraestruturas em detrimento da recompra de ações, defende o banco norte-americano.
De acordo com a Alvarez & Marsal, o Reino Unido seguirá os EUA com um impulso de desregulação mais pequeno e mais lento. A Jefferies prevê que os bancos britânicos libertem 0,5 biliões de dólares em capacidade de ativos (9% dos ativos), uma libertação de 102 pontos base no CET1 e um aumento de 3% no ROTCE.
“As reformas centram-se na redução dos requisitos do Pilar 2A/B, na simplificação do ring-fencing e na recalibração dos buffers de Requisito Mínimo para Fundos Próprios e Passivos Elegíveis (MREL). A escala de libertação de capital é cerca de metade da dos EUA, e a implementação será provavelmente lenta, com efeitos completos esperados após 2026. A UE e a Suíça, por outro lado, estão a aumentar os requisitos de capital, o que restringirá a rentabilidade e o crescimento dos activos dos seus maiores bancos”, conclui o Jefferies.




