CTP vê ano positivo no turismo, mas alerta. “Não nos iludamos! Estamos a entrar numa fase de crescimento sustentável

Apesar dos números do turismo serem animadores no ano de 2025, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), avisa que o setor está a entrar num cenário de desaceleração em relação aos últimos anos. “Estamos a ter mais um ano turístico positivo em Portugal. Se os primeiros meses já o anteviam, os dados já conhecidos do verão assim o confirmam. Mas não nos iludamos! Estamos a entrar numa fase de crescimento sustentável”, referiu Francisco Calheiros na sessão de abertura do 50º congresso da APAVT, que decorre até 4 de dezembro, em Macau.

O líder da CTP realçou que “não há estagnação, mas sim uma maior estabilidade”. Algo que já se antevia, depois de crescimentos muito fortes nos anos pós-pandemia.

Este verão, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o setor do alojamento turístico registou 10,5 milhões de hóspedes e 28,6 milhões de dormidas entre junho e agosto registando crescimentos de 2,2% no número de hóspedes e 2% nas dormidas face ao verão do ano passado.

“São aumentos? Sim são, mas não crescimentos ao nível dos que assistimos nos últimos anos”, sublinhou Francisco Calheiros.

Já os proveitos totais em junho, julho e agosto atingiram 2,7 mil milhões de euros, um aumento 7,4% em relação à época alta do verão do ano passado.

As dormidas de residentes aumentaram 5,5% no último verão, ultrapassando os nove milhões. Dados que para Francisco Calheiros representam duas conclusões: que os turistas portugueses estão a crescer, que as dormidas têm um aumento menor face a outros anos, mas os turistas que chegam a Portugal gastam mais e contribuem para um turismo de maior qualidade.

Mas também um alerta de que “sem um novo aeroporto, muito dificilmente teremos crescimentos no turismo”, realçou.

Sobre o tema do aeroporto, o presidente da CTP espera que os dados do turismo façam pensar o Governo, e equacionar que é preciso urgentemente decidir sobre uma alternativa intermédia ao aeroporto em Alcochete.

“Ainda vamos muito a tempo. O Montijo é uma opção intermédia rápida, eficaz e mais barata. Queremos ficar sentados anos à espera até ter finalmente um novo aeroporto? Queremos continuar a assistir às filas e tempos de espera exasperantes que enfrenta quem nos visita, que no nosso país quer fazer férias e gerar valor ao país, mas que enfrenta poucas condições logo à sua chegada”, questionou Francisco Calheiros.

Relacionada com o tema do aeroporto está a privatização da TAP, que para o presidente da CTP é outro fator essencial para o turismo em Portugal.

“Já foi dado um primeiro passo com a decisão do Governo de iniciar o processo de reprivatização da companhia aérea, no qual pretende alienar, na primeira fase, 49,9% do capital da mesma”, afirmou, recordando que a companhia não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado, tendo de ser integrada num consórcio com provas dadas e que traga mais-valias à TAP e ao país.

“A CTP defende e sempre defendeu uma privatização a 100%. Aguardemos pelas decisões tomadas em relação à segunda fase da reprivatização. Uma coisa é certa, não prescindimos da ideia de que o consórcio internacional que fique a gerir a TAP, tem de garantir desde logo o hub de Lisboa e as ligações aéreas especiais às ilhas e aos países da CPLP”, referiu.