Generali favorece dívida dos países mediterrânicos a longo prazo, mas é neutro para Portugal

A Generali Investments, gestora de ativos do grupo Generali, favorece o investimento em dívida pública de Grécia, Espanha e Itália a longo prazo, ao mesmo tempo que aponta para o curto prazo em França e na Alemanha, afirmou em comunicado. No caso de Portugal, mantém “uma posição neutra”.

Mauro Valle, responsável de dívida activa na Generali AM, que integra a Generali Investments, indica que no último ano e meio a dois anos, as tendências mais fortes no mercado de rendimento fixo europeu foram “o estreitamento dos spreads entre países centrais e periféricos” e uma “maior inclinação da curva de rendimentos”. Embora as dinâmicas possam manter-se, “os níveis atuais exigem monitorização atenta”, ressalva.

Os spreads das obrigações do tesouro francesas “têm vindo a alargar desde meados de agosto devido à difícil situação política e às preocupações orçamentais, refletindo o risco de uma revisão em baixa da notação”, sublinha Mauro Valle. “Após a demissão do primeiro-ministro Lecornu no início de outubro, Macron voltou a nomeá-lo primeiro-ministro juntamente com o seu governo”, recorda a Generali, e “embora eleições antecipadas tenham sido evitadas por agora, a incerteza política permanece elevada”. Um Parlamento fragmentado “representa riscos para o governo e, apesar de existir alguma vontade de compromisso, o clima político mais amplo continua tenso”, afirma ainda, considerando que “o risco de eleições antecipadas permanece não negligenciável, enquanto as preocupações orçamentais aumentam”. Face à “elevada incerteza política”, a gestora de ativos espera que os spreads da dívida pública francesa (OAT) “permaneçam na parte superior da faixa observada nos últimos meses, e não se pode excluir um salto acima dos 100 pontos base”.

Já na Alemanha, o spread das obrigações a 10 anos “está a estabilizar em torno dos 80 pontos base e deverá continuar a consolidar”, diz Mauro Valle. “A expansão orçamental da Alemanha pode reforçar ainda mais os spreads dos periféricos, à medida que os défices e rácios dívida/PIB convergem entre os países da área do euro. A nossa visão mantém-se construtiva relativamente às obrigações periféricas, embora a volatilidade dos spreads dependa amplamente das condições gerais de mercado e dos desenvolvimentos em França”, nota o responsável.

“Recentemente, a volatilidade das taxas tem sido bastante baixa, devido ao fim do ciclo de cortes do BCE e à estabilidade relativa da economia. As taxas alemãs têm oscilado dentro de uma faixa e apresentam uma tendência neutra. Isto é favorável para maximizar as rendibilidades das carteiras e tirámos partido disso com uma posição de duração neutra nos últimos dois meses, depois de termos estado positivos na primeira metade do ano”, afirma.

“Mantivemos uma posição longa na parte intermédia da curva para aproveitar oportunidades de inclinação e estivemos curtos nas maturidades a 30 anos para sermos defensivos caso houvesse mais acentuação na parte longa. Também estivemos longos em Itália, Espanha e Grécia e curtos em obrigações francesas. Olhando em frente, continuaremos a manter uma duração relativa neutra com uma abordagem tática”, acrescenta a Generali AM.

O responsável nota ainda que “as obrigações corporativas europeias com notação de nível de investimento oferecem atualmente rendibilidades na ordem dos 3%” e, apesar de “os spreads estarem próximos dos mínimos históricos”, considera que “continuam atrativos para investidores”.