Inovação na saúde travada por falta de autonomia na investigação e planos curriculares, aponta estudo

Uma menor autonomia dos Centros de Investigação Clínica (CIC) na gestão de recursos humanos e incentivos, aliada há falta de tempo nos planos curriculares dos cursos de medicina para integrar competências digitais são os dois principais desafios que estão a travar a inovação na saúde. A conclusão é apontada pelo Barómetro de Inovação Clínica 2025, divulgado pela consultora NTT DATA esta quarta-feira.

No caso dos planos curriculares todas as direções das faculdades de medicina classificaram esta área como uma prioridade muito elevada. No entanto, 56% das associações de estudantes consideram essa prioridade apenas baixa ou moderada, o que revela um desfasamento entre o discurso estratégico e a prática pedagógica.

Por outro lado, os hospitais consideram que os CIC continuam limitados por modelos de gestão que não permitem contratar equipas ou definir incentivos de forma autónoma, uma fragilidade que compromete a agilidade necessária para competir internacionalmente.

De resto, autonomia estratégica dos Centros de Investigação Clínica é considerada elevada em áreas como a definição de indicadores de desempenho (57%) e de estratégia (60%).

A preparação dos alunos para a área digital é vista de forma mais positiva pelas direções, com 87% a classificarem-na como moderada/boa, com 67% das associações de estudantes a defenderem que os alunos estão pouco ou apenas moderadamente preparados. A capacitação docente também é percebida como insuficiente por uma parte significativa dos estudantes (44%).

Como tal, a introdução de conteúdos como inteligência artificial, simuladores digitais e sistemas de apoio à decisão clínica, é vista como benéfica, mas apenas metade das faculdades avançou para áreas mais complexas como big data e análise de dados clínicos.

A falta de tempo nos planos curriculares é considerada por 75% das direções e 78% das associações de estudantes como a principal barreira à integração de novas temáticas digitais, sendo que o financiamento para projetos de inovação pedagógica não é considerado um fator limitante.

Patrícia Calado, Head of Clinical Innovation da NTT DATA Portugal, refere que “sem autonomia nos Centros de Investigação Clínica e tempo nos planos curriculares dos cursos de medicina, Portugal arrisca perder o ritmo da transformação digital na saúde, o que será muito penalizador para a qualidade da prestação de cuidados, mas também para a capacidade que o país terá de captar grandes investimentos em investigação e inovação clínica”.