O porta-voz do Livre, Rui Tavares, insurgiu-se hoje contra a proposta de Orçamento do Estado para 2026 por considerar que mantem os portugueses em “anestesia fiscal”, lamentando que o IVA não tenha sido reduzido.
“Desses impostos, que aguentam mais de 50% da máquina do Estado e que são justificados por manterem os portugueses em anestesia fiscal, (…) é preciso dizer que naquilo que depender do Livre acabou-se a anestesia”, criticou Rui Tavares.
Para o deputado do Livre, “é preciso que os portugueses saibam que os trabalhadores estão a aguentar o excedente na Segurança Social, que é o que permite apresentar contas bonitas em Bruxelas, e os consumidores estão a aguentar a administração central que vocês têm deficitária”.
“E eis a novidade: os trabalhadores e os consumidores são as mesmas pessoas, são os mesmos desgraçados que estão a aguentar isto e em que vocês não pensam e que não se lembram depois de terem lembrado de todos aqueles que são parecidos convosco e com os vossos patrões”, criticou.
Uma das propostas do Livre na especialidade do Orçamento do Estado era a descida do IVA de 23% para 21% numa trajetória gradual em quatro anos.
Tavares acusou IL, PSD e CDS de pouco falarem dos impostos “onde os portugueses pagam mais do que a média europeia e a média do OCDE”, afirmando que estes partidos “sabem usar a desculpa da carga fiscal para beneficiar os mais beneficiados, mas não falam daquilo que é a descida do IVA”.
As críticas estenderam-se à esquerda, uma vez que “nem a geringonça reverteu esta medida pré-troika”, de José Sócrates.
“Podem falar do IVA da caça ou do IVA da casa ou até de qualquer outro IVA pequenino, poucochinho, o que é preciso é baixar o IVA de 23% para 21%, fazê-lo gradualmente ao longo de quatro anos e esta foi a oportunidade perdida”, disse.
Dirigindo-se ao líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, que momentos antes tinha defendido o documento, Tavares atirou: “Dizia que podem dormir descansados com este orçamento, talvez, se se for CEO da Galp”.
“Quem não dorme descansado é quem por acaso teve que pagar um arranjo do carro ou um desentupimento de canos em casa e paga a 23% e isso é o suficiente, naquelas centenas de euros, para não saber como é que vai acabar este mês e como é que vai iniciar o próximo”, lamentou.
O Livre vai manter o voto contra na votação final global do documento, tal como na generalidade, de acordo com uma decisão tomada por unanimidade pela Assembleia do partido na noite de quarta-feira, adiantou à Lusa fonte oficial.




