Grupo imobiliário apresenta proposta de 33 milhões de euros pelo Estádio do Bessa

Um grupo imobiliário sediado em Lisboa apresentou uma proposta de 33 milhões de euros pelo Estádio do Bessa e pelo complexo desportivo do Boavista, no Porto. A operação surge no âmbito do processo de insolvência do clube e supera o valor mínimo definido para a venda conjunta dos ativos.

A proposta encontra-se agora nas mãos da administradora de insolvência do Boavista e terá ainda de ser analisada e aprovada pelos credores. Por isso, apesar de existir uma oferta de 33 milhões de euros, a transação ainda não deve ser considerada definitivamente concluída.

Nova proposta supera valor mínimo do Estádio do Bessa

A nova oferta surge depois de um primeiro processo de venda através de leilão eletrónico, realizado em junho.

Na altura, o conjunto formado pelo Estádio do Bessa e pelo complexo desportivo recebeu várias licitações, mas a melhor proposta ficou nos 25,7 milhões de euros, abaixo do valor mínimo de 32,917 milhões de euros estabelecido para a venda conjunta.

A nova proposta de 33 milhões de euros fica, assim, cerca de 83% acima da melhor oferta registada no leilão anterior e ligeiramente acima do valor mínimo definido para os dois ativos.

O processo de venda está associado à insolvência do Boavista Futebol Clube, que tem vindo a colocar no mercado diferentes ativos do clube para fazer face à sua situação financeira.

O que está incluído na operação?

A operação envolve dois ativos imobiliários localizados no Porto: o Estádio do Bessa Século XXI e o complexo desportivo adjacente.

Segundo a informação disponibilizada pela Leilosoc, o estádio inclui um recinto desportivo com 11 pisos e uma área total de cerca de 77.866 metros quadrados, além de estacionamento, restaurante, residência para atletas e outras estruturas de apoio.

O complexo desportivo adjacente possui uma área total de aproximadamente 21.145 metros quadrados e inclui, entre outros espaços, campos desportivos, bancadas, campos de ténis, balneários, bar e áreas de estacionamento e acessos.

O ativo apresenta também interesse imobiliário para além da utilização desportiva. Durante o processo de venda foi destacada a existência de uma parcela do complexo com capacidade construtiva, o que pode aumentar o interesse do ativo para investidores do setor imobiliário.

Investimento imobiliário acontece num processo de insolvência

A proposta de 33 milhões de euros surge num momento particularmente relevante para o Boavista.

O clube encontra-se num processo de insolvência e os credores têm desempenhado um papel central na definição do destino dos seus ativos. A liquidação da Boavista SAD foi também aprovada pelos credores depois de rejeitado um plano de recuperação.

Neste contexto, a venda do Estádio do Bessa representa uma das operações de maior dimensão associadas ao património do clube.

Para o comprador, a operação permite adquirir um conjunto imobiliário de grande dimensão numa localização urbana consolidada do Porto. Para os credores, a concretização da venda poderá representar a entrada de uma verba significativa no processo de insolvência.

Do leilão à proposta de 33 milhões

A evolução das propostas mostra também a diferença entre o primeiro processo de venda e a nova oferta.

Em junho, o leilão terminou com uma melhor proposta de 25,7 milhões de euros para o conjunto dos ativos, valor que não atingiu o mínimo exigido. Separadamente, o Estádio do Bessa não recebeu propostas que cumprissem o valor mínimo, enquanto o complexo desportivo chegou a receber uma oferta de 6,5 milhões de euros.

A nova proposta de 33 milhões de euros ultrapassa agora os 32,917 milhões de euros definidos como valor mínimo para a venda conjunta.

A decisão final caberá à administradora judicial e aos credores, pelo que os próximos passos do processo serão determinantes para confirmar a concretização da operação.

Uma operação para acompanhar no mercado português

A eventual venda do Estádio do Bessa mostra como processos de insolvência podem colocar no mercado ativos de dimensão relevante e criar oportunidades para investidores especializados.

Neste caso, o interesse ultrapassa o universo desportivo: trata-se de uma operação imobiliária de 33 milhões de euros, envolvendo um ativo de grande dimensão numa das principais cidades portuguesas.

A evolução desta proposta será, por isso, relevante para acompanhar a atividade de investimento imobiliário, compra e venda de ativos e operações empresariais em Portugal.

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