
A Neoenergia, empresa integrada no grupo espanhol Iberdrola, anunciou a venda dos 25% que ainda detinha na holding Brasil Hidro Participações S.A. (Hidro Participações), responsável pela participação na empresa que controla a Central Hidroelétrica de Dardanelos, no estado brasileiro de Mato Grosso. O negócio foi acordado com fundos geridos pela Itaú Asset Management e representa a saída definitiva da energética deste ativo de produção de eletricidade.
O contrato estabelece um preço de R$ 93,5 milhões pela participação, sujeito a correções monetárias e a outros ajustamentos financeiros desde 2 de abril de 2026 até à conclusão da operação. Adicionalmente, prevê a liquidação integral de um empréstimo de R$ 265,8 milhões concedido à Hidro Participações pela Elektro Renováveis do Brasil S.A., subsidiária integral da Neoenergia, também sujeito às atualizações financeiras aplicáveis.
Segundo a empresa, a operação permitirá uma antecipação de caixa de aproximadamente R$ 400 milhões. A conclusão do negócio depende ainda do cumprimento das condições contratuais e da obtenção das autorizações regulatórias necessárias.
Neoenergia conclui estratégia de saída da central hidroelétrica
A alienação dos 25% remanescentes dá continuidade ao processo de desinvestimento iniciado em novembro de 2025, quando a Neoenergia anunciou a venda de 75% da sua participação na Central Hidroelétrica de Dardanelos à francesa EDF Power Solutions.
Essa operação foi concluída em abril de 2026, por R$ 2,5 mil milhões. Na sequência do negócio, os 25% que permaneceram na esfera da Neoenergia passaram a estar integrados numa estrutura societária partilhada com a EDF Power Solutions, através da Hidro Participações, ficando prevista a alienação total da participação remanescente até 2028.
Com o novo acordo, a Neoenergia avança para a saída integral do ativo, encerrando a sua participação na Energética Águas da Pedra S.A. (EAPSA), sociedade responsável pela central hidroelétrica.
A operação enquadra-se na estratégia de gestão do portefólio de ativos do grupo e na disciplina de capital que a empresa afirma orientar as suas decisões de investimento.
A venda da empresa permite à companhia libertar capital associado a um ativo de produção de energia e reforçar a sua posição financeira através do encaixe previsto e da liquidação do crédito concedido à holding. Para os compradores, a operação representa a aquisição da participação que permanecia na esfera da Neoenergia, no âmbito da estrutura societária associada à central.
Operação depende de aprovações regulatórias
A conclusão da transação está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Económica (CADE), autoridade brasileira responsável pela defesa da concorrência, e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), regulador do setor elétrico no Brasil.
O negócio depende igualmente da anuência dos agentes financiadores da EAPSA, além do cumprimento das restantes condições previstas no contrato de compra e venda.
Até à conclusão destas etapas, a alienação não deve ser considerada definitivamente executada. O calendário final dependerá do cumprimento dos requisitos legais, regulatórios e financeiros aplicáveis.
Central de Dardanelos tem capacidade instalada de 261 MW

Localizada no rio Aripuanã, no município de Aripuanã, no estado brasileiro de Mato Grosso, a Central Hidroelétrica de Dardanelos dispõe de uma capacidade instalada de 261 megawatts (MW). De acordo com a Neoenergia, a infraestrutura tem capacidade para abastecer cerca de 1,4 milhões de habitantes.
A central integra quatro turbinas de 58 MW e uma turbina de 29 MW, tendo iniciado a operação comercial em agosto de 2011. A sua dimensão torna-a um ativo relevante no segmento de produção hidroelétrica brasileiro, num contexto em que os grupos energéticos procuram gerir os respetivos portefólios e direcionar capital para as áreas consideradas prioritárias.
A saída da Neoenergia ocorre, assim, após um processo de desinvestimento faseado, iniciado com a venda da maioria da participação e agora encaminhado para a alienação da parcela remanescente.
O que revela esta operação sobre a estratégia de investimento?
A venda da participação na central de Dardanelos ilustra como as operações de fusões e aquisições podem ser utilizadas para reorganizar portfólios, transferir ativos entre investidores e libertar recursos financeiros.
Neste caso, a Neoenergia procura concluir a saída de um ativo de produção de energia, enquanto a transação com fundos geridos pela Itaú Asset Management fica dependente das aprovações necessárias.
Para empresas, investidores e grupos económicos, operações desta natureza demonstram a importância de avaliar não apenas o preço de venda, mas também os empréstimos associados, as condições de financiamento, a estrutura societária e os requisitos regulatórios que podem influenciar a concretização de um negócio.
Acompanhar estas movimentações é essencial para compreender como o capital circula entre empresas e setores e que oportunidades podem surgir no mercado de compra e venda de participações empresariais.
Na Bolsa Portugal Negócios, reunimos informação sobre operações empresariais, aquisições e desinvestimentos que ajudam a interpretar a evolução do mercado. Consulte a nossa página de notícias de fusões e aquisições (M&A) para acompanhar outros negócios, identificar tendências e conhecer as movimentações que estão a transformar empresas e setores de atividade.

