Indaqua prepara nova mudança de mãos numa operação avaliada em 1,3 mil milhões de euros

Maior operador privado português do setor da água volta ao centro do mercado de M&A

A Indaqua poderá voltar a mudar de acionistas numa operação avaliada em cerca de 1,3 mil milhões de euros, numa altura em que a empresa enfrenta paralisações laborais em algumas concessões operacionais.

O grupo, considerado o maior operador privado português no segmento das concessões municipais de abastecimento de água e saneamento, gere atualmente oito concessões em Portugal e 12 em Espanha, consolidando uma presença relevante no setor ibérico das utilities.

Segundo informações avançadas pela imprensa económica, os trabalhadores da unidade de Matosinhos iniciaram uma greve “a conta-gotas”, reivindicando aumentos salariais e contestando modelos internos de avaliação e progressão remuneratória. Apesar da tensão laboral, o principal foco do mercado continua a estar centrado no processo de venda da empresa e no interesse que o ativo poderá gerar junto de fundos de infraestruturas e investidores internacionais.

Histórico de transações reforça atratividade da empresa

A Indaqua tem sido um dos ativos mais movimentados do setor das infraestruturas de água em Portugal durante a última década. A empresa já passou pelas mãos de diferentes investidores internacionais, refletindo o crescente interesse dos fundos de private equity e infraestruturas por ativos regulados e com receitas recorrentes.

Em 2016, a empresa foi adquirida pelo fundo espanhol Ardian, numa operação que marcou uma nova fase de expansão da companhia. Mais tarde, a estrutura acionista voltou a sofrer alterações, acompanhando o forte apetite do mercado por ativos ligados a utilities essenciais.

O setor da água continua a ser visto como particularmente resiliente em períodos de volatilidade económica, devido à previsibilidade das receitas e à natureza estratégica das concessões municipais.

Ativos em Portugal e Espanha aumentam valor estratégico

A presença da Indaqua em Portugal e Espanha poderá aumentar significativamente o interesse de investidores internacionais especializados em infraestruturas e gestão de utilities.

A empresa opera concessões municipais em diferentes regiões, assegurando serviços de abastecimento de água, saneamento e tratamento de águas residuais. Este perfil de negócio garante contratos de longa duração e fluxos financeiros relativamente estáveis, características altamente valorizadas por fundos de investimento institucionais.

Além disso, o atual contexto europeu de investimento em sustentabilidade, eficiência hídrica e modernização de infraestruturas poderá reforçar ainda mais o valor estratégico da empresa.

Mercado ibérico de utilities continua em consolidação

A eventual venda da Indaqua surge num momento de forte consolidação no setor europeu das utilities e infraestruturas ambientais.

Nos últimos anos, fundos internacionais têm aumentado a exposição a ativos ligados à gestão da água, energias renováveis e resíduos, numa estratégia de longo prazo focada em ativos considerados defensivos.

Portugal continua igualmente a atrair investidores internacionais para setores regulados, sobretudo em áreas consideradas críticas para a transição sustentável e para o investimento ESG.

Caso a operação avance pelos valores atualmente apontados, a venda da Indaqua poderá tornar-se uma das maiores transações recentes no setor das utilities em Portugal, reforçando o dinamismo do mercado nacional de fusões e aquisições.

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