
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) assinou um acordo de exclusividade com a chinesa Huaxin Building Materials Group Co. para avançar com a venda da CSN Cimentos, numa operação avaliada em 12,7 mil milhões de reais (R$), o equivalente a cerca de 2 mil milhões de euros. O entendimento, anunciado a 30 de outubro de 2026, estabelece um período de dez dias para a negociação e formalização dos documentos definitivos da transação.
A proposta da Huaxin foi considerada a mais vantajosa no âmbito do processo competitivo iniciado pela CSN em março deste ano. A operação representa um dos principais movimentos de desinvestimento do grupo brasileiro e insere-se na estratégia de redução do endividamento e reorganização do seu portfólio de negócios.
Huaxin apresenta proposta mais vantajosa para aquisição da CSN Cimentos
O acordo agora celebrado permite à CSN e à Huaxin avançarem em exclusivo nas negociações relativas à venda de ações da CSN Cimentos Brasil S.A. Durante os dez dias previstos, as duas empresas deverão trabalhar na conclusão dos documentos necessários à formalização da transação.
Segundo a informação divulgada pela CSN ao mercado, a proposta da empresa chinesa foi a mais vantajosa entre as recebidas no processo competitivo lançado em março de 2026. O entendimento contempla um Enterprise Value de 12,7 mil milhões de reais para a unidade de cimentos.
Este indicador corresponde ao valor global da empresa, considerando a sua estrutura financeira, incluindo dívida, não devendo ser confundido com o montante líquido que a CSN receberá pela alienação da participação.
A negociação surge após vários meses de avaliação de propostas de potenciais compradores. Entre os interessados encontrava-se também um consórcio constituído pela brasileira Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir Holdings, cuja proposta acabou por não prevalecer.
Redução do endividamento está entre os principais objetivos da CSN
A alienação da CSN Cimentos integra um plano de desinvestimento mais abrangente, anunciado pelo grupo brasileiro em janeiro de 2026, com o objetivo de reforçar a liquidez e reduzir o endividamento.
No segundo trimestre deste ano, a dívida líquida da CSN situava-se em aproximadamente 42,1 mil milhões de reais, colocando a redução da alavancagem financeira entre as prioridades estratégicas da administração.
De acordo com uma análise da XP Investimentos, a concretização da operação poderá permitir reduzir a dívida líquida do grupo para cerca de 29,4 mil milhões de reais. A mesma análise estima uma diminuição da alavancagem financeira de aproximadamente 3,5 para 2,8 vezes o EBITDA, considerando os ajustamentos associados à saída da unidade de cimentos.
A venda deverá, assim, contribuir para melhorar a estrutura de capital da CSN e permitir uma maior concentração de recursos nos restantes segmentos de atividade.
Expansão internacional da Huaxin reforça presença no mercado brasileiro

A eventual aquisição representa também um movimento estratégico para a Huaxin Building Materials Group, empresa chinesa com atividade internacional no setor dos materiais de construção.
A entrada na CSN Cimentos permitirá à compradora reforçar a sua presença no Brasil, através de uma operação com dimensão relevante no mercado nacional de cimento.
A unidade brasileira constitui um ativo estratégico, considerando a sua capacidade industrial e posicionamento no setor.
Para a Huaxin, a aquisição poderá representar uma oportunidade de expansão geográfica e de reforço da capacidade operacional fora do mercado chinês. Para a CSN, a alienação permitirá libertar recursos financeiros e avançar com a reorganização do seu portefólio empresarial.
A concretização do negócio dependerá, contudo, da assinatura dos documentos definitivos e do cumprimento das condições aplicáveis à transação. Até lá, a operação permanece em fase de negociação, não podendo ser considerada concluída.
O que esta operação representa para o mercado de M&A?
A negociação entre a CSN e a Huaxin evidencia a importância das operações de desinvestimento como instrumento de gestão financeira e reposicionamento estratégico dos grupos empresariais.
Por um lado, permite à CSN procurar reduzir a exposição à dívida através da alienação de uma unidade de negócio.
Por outro, abre caminho à entrada de um grupo internacional num ativo industrial de dimensão significativa, reforçando a dinâmica de investimento e consolidação no setor dos materiais de construção
O processo demonstra ainda como os processos competitivos de venda podem atrair investidores internacionais e gerar oportunidades de aquisição para empresas que procuram reforçar a sua presença em novos mercados.
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