
A Petrobras vai comprar 0,8 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano à Sempra Infrastructure, num acordo com duração de duas décadas
A Petrobras e a norte-americana Sempra Infrastructure estabeleceram uma nova parceria de longo prazo no mercado energético. O contrato prevê o fornecimento de 0,8 milhões de toneladas por ano de gás natural liquefeito (GNL) à Petrobras durante 20 anos.
O acordo foi assinado no final de agosto e anunciado a 14 de setembro de 2026. O GNL será proveniente do projeto Port Arthur LNG Phase 2, que está a ser desenvolvido no Texas, nos Estados Unidos.
Apesar de não envolver a compra de uma empresa ou uma participação societária, a operação representa uma parceria empresarial de longo prazo e enquadra-se nos movimentos estratégicos que estão a marcar o mercado internacional de energia.
O que está previsto no acordo entre a Petrobras e a Sempra?
O contrato estabelece que a Sempra Infrastructure irá fornecer à Petrobras aproximadamente 0,8 milhões de toneladas de GNL por ano, durante um período de 20 anos.
O gás terá origem na capacidade de liquefação contratada pela Sempra no projeto Port Arthur LNG Phase 2, localizado no condado de Jefferson, na costa do Texas.
Para a Petrobras, a contratação de volumes de longo prazo permite reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot, onde os preços podem variar de acordo com as condições de oferta e procura.
A empresa brasileira considera ainda que este tipo de acordo contribui para uma gestão mais previsível do seu portefólio de gás natural e aumenta a flexibilidade para cumprir os seus próprios contratos de fornecimento.
O acordo tem, assim, uma dimensão que vai além da simples aquisição de GNL. Para a Petrobras, está relacionado com a gestão do abastecimento e do risco; para a Sempra, representa mais um compromisso de longo prazo para a comercialização da produção futura do projeto.
Port Arthur LNG ganha novo cliente internacional

O contrato está diretamente ligado à expansão do complexo Port Arthur LNG, uma das principais infraestruturas de GNL desenvolvidas pela Sempra Infrastructure nos Estados Unidos.
A segunda fase do projeto prevê a construção de duas novas unidades de liquefação, os chamados trains 3 e 4, com uma capacidade conjunta de aproximadamente 13 milhões de toneladas de GNL por ano.
Quando somada à primeira fase, a capacidade total de liquefação do complexo poderá chegar a cerca de 26 milhões de toneladas anuais.
A Sempra prevê que as duas novas unidades entrem em operação comercial em 2030 e 2031, respetivamente. A empresa já assegurou também contratos de fornecimento com vários compradores internacionais para a produção prevista na segunda fase.
A localização do projeto permite o acesso ao gás natural produzido nos Estados Unidos e a uma infraestrutura logística integrada para o transporte e exportação do GNL.
Petrobras junta-se a outros compradores de longo prazo
O acordo com a Petrobras surge depois de a Sempra Infrastructure ter estabelecido outros contratos de longo prazo relacionados com o Port Arthur LNG Phase 2.
Em julho de 2025, a empresa anunciou um acordo de 20 anos com a japonesa JERA, envolvendo aproximadamente 1,5 milhões de toneladas de GNL por ano.
Em agosto do mesmo ano, celebrou um contrato de 20 anos com a ConocoPhillips, correspondente a cerca de 4 milhões de toneladas anuais, e outro com a EQT, para aproximadamente 2 milhões de toneladas por ano.
Com o novo acordo, a Petrobras passa a integrar esta carteira de compradores de longo prazo. Segundo a Sempra, é a primeira empresa sul-americana a entrar na sua carteira de clientes de GNL.
A existência destes contratos é relevante para o desenvolvimento de um projeto desta dimensão, uma vez que assegura uma parte significativa da procura futura antes de toda a capacidade estar operacional.
Uma relação que já envolve outras grandes empresas
A relação comercial em torno do Port Arthur LNG não se limita à segunda fase do projeto.
Na primeira fase, a Sempra estabeleceu contratos de fornecimento de longo prazo com empresas como ConocoPhillips, RWE Supply & Trading, INEOS, ORLEN e ENGIE.
No caso da ConocoPhillips, a relação inclui ainda uma participação de 30% no Port Arthur LNG Phase 1, além de capacidade contratada de aquisição de GNL durante 20 anos.
A primeira fase é composta por duas unidades de liquefação e dois tanques de armazenamento. A entrada em operação comercial dos trains 1 e 2 está prevista para 2027 e 2028.
Este histórico ajuda a perceber que o novo contrato com a Petrobras faz parte de uma estratégia mais ampla da Sempra para desenvolver uma plataforma de exportação de GNL com compradores internacionais.
Um projeto com milhares de milhões de dólares de investimento
A expansão do Port Arthur LNG envolve também um investimento significativo em infraestrutura.
A Sempra anunciou em 2025 a decisão de avançar com a segunda fase do projeto, estimando 12 mil milhões de dólares de despesas de capital incrementais, aos quais acrescem aproximadamente 2 mil milhões de dólares relacionados com instalações partilhadas.
O financiamento da segunda fase inclui ainda a participação de investidores institucionais. Um consórcio liderado pela Blackstone Credit & Insurance, com investidores que incluem KKR, fundos geridos pela Apollo e a Goldman Sachs Alternatives, adquiriu uma participação minoritária de 49,9% no projeto por 7 mil milhões de dólares.
A Sempra Infrastructure Partners manteve uma posição maioritária de 50,1%.
O modelo combina, assim, investimento em infraestrutura, financiamento institucional e contratos de fornecimento de longo prazo com grandes empresas internacionais.
O que este acordo representa para a Petrobras?
Para a Petrobras, o contrato permite assegurar uma fonte de fornecimento de GNL durante duas décadas e reduzir a exposição às oscilações do mercado spot.
A empresa brasileira poderá utilizar este fornecimento para complementar o seu portfólio de gás natural e aumentar a flexibilidade na gestão das suas necessidades de abastecimento.
A duração do contrato também permite estabelecer uma relação comercial de longo prazo com um fornecedor integrado num dos principais mercados produtores de gás natural.
Para a Sempra Infrastructure, a entrada da Petrobras representa, por sua vez, mais um comprador para a capacidade prevista no Port Arthur LNG Phase 2 e reforça a dimensão internacional do projeto.
O que está em causa para a Sempra Infrastructure?
A Sempra Infrastructure desenvolve, constrói, opera e investe em infraestruturas energéticas, incluindo projetos de GNL, redes de energia e soluções relacionadas com a transição energética.
No Port Arthur LNG, a estratégia passa por desenvolver capacidade de liquefação nos Estados Unidos e comercializar essa produção através de contratos de longo prazo com compradores de diferentes mercados.
A carteira já inclui empresas norte-americanas, europeias e asiáticas. A entrada da Petrobras acrescenta agora uma empresa sul-americana ao conjunto de clientes do projeto.
Além disso, a Sempra mantém outras oportunidades de expansão para fases futuras do Port Arthur LNG, ainda em desenvolvimento inicial.
Uma operação estratégica no mercado energético internacional
O acordo entre Petrobras e Sempra mostra como os grandes projetos de infraestrutura energética são frequentemente construídos em torno de relações comerciais de longo prazo.
Neste caso, a Petrobras garante uma parte do seu fornecimento futuro de GNL. Enquanto a Sempra assegura mais um comprador para a produção associada a uma infraestrutura cuja expansão envolve milhares de milhões de dólares de investimento.
A operação combina, por isso, energia, investimento, infraestrutura e expansão internacional, embora não corresponda a uma operação de fusão ou aquisição de empresas.
Para o mercado, será particularmente relevante acompanhar a evolução do Port Arthur LNG Phase 2, a entrada em funcionamento das novas unidades de liquefação e eventuais novos contratos que possam ser assinados para a capacidade ainda disponível.
A Sempra indica que mantém oportunidades para futuras fases do projeto e para novos acordos de fornecimento de longo prazo.
Acompanhe as operações empresariais na Bolsa Portugal Negócios
A Bolsa Portugal Negócios acompanha as principais operações empresariais, desde compra e venda de empresas e fusões e aquisições (M&A) a investimentos estratégicos, operações de capital e movimentos de expansão empresarial.
Continue a acompanhar as notícias sobre as operações que estão a transformar empresas e setores em Portugal e nos mercados internacionais.

