Urbaser reforça presença em Portugal com aquisição da Egeo

A espanhola Urbaser está novamente a reforçar a sua presença no mercado português através de uma operação de fusão. O grupo chegou a acordo para adquirir o controlo exclusivo da Egeo SGPS, com exceção da Egeo Solventes, numa operação que prolonga uma estratégia de crescimento construída através da aquisição de empresas portuguesas ligadas à gestão e tratamento de resíduos.

A operação foi notificada à Autoridade da Concorrência (AdC) e envolve, através da Sertego Portugal, SGPS, a aquisição do controlo exclusivo sobre a Egeo SGPS e as suas subsidiárias, ficando a Egeo Solventes fora da transação.

Mais do que uma aquisição isolada, a entrada na Egeo surge depois de uma sucessão de operações que têm permitido à Urbaser alargar a sua presença em diferentes segmentos do setor ambiental em Portugal.

Urbaser soma mais uma aquisição no mercado português

A chegada à Egeo acontece num momento em que a Urbaser já tem uma presença consolidada no mercado nacional.

O grupo espanhol atua em Portugal em áreas como a recolha e tratamento de resíduos industriais perigosos e não perigosos, bem como na recolha, transporte e tratamento de óleos usados. A sua atividade nacional foi sendo ampliada através de várias operações de concentração.

A nova aquisição permite à Urbaser continuar a expandir a sua plataforma portuguesa, acrescentando mais ativos e operações ao negócio que tem vindo a construir no país. Os detalhes financeiros da transação não foram divulgados.

Uma estratégia de M&A que começou a ganhar força em 2024

O atual movimento de expansão da Urbaser em Portugal começou a ganhar uma dimensão mais evidente em 2024.

No início desse ano, o grupo concluiu a aquisição do negócio de tratamento industrial da SUMA, através de uma operação de troca de ativos com a Mota-Engil. A transação permitiu à Urbaser assumir o negócio de tratamento industrial da empresa, com presença no Centro e Norte do país e uma posição relevante no tratamento de óleos.

Na mesma altura, a empresa avançou também para a compra do Grupo Carmona, especializado em serviços ambientais para clientes industriais, incluindo recolha e tratamento de resíduos e comercialização de subprodutos reciclados.

A aquisição do Grupo Carmona foi posteriormente analisada pela Autoridade da Concorrência, que decidiu não se opor à operação.

A sequência é relevante porque mostra que a Urbaser não estava apenas a aumentar a sua dimensão em Portugal. Estava a construir uma presença mais abrangente no negócio dos resíduos industriais e ambientais através de aquisições.

Da gestão de resíduos industriais aos resíduos hospitalares

A estratégia ganhou outra dimensão em outubro de 2024, quando a Urbaser anunciou a aquisição das operações da Stericycle em Portugal e Espanha.

A transação abrangia o negócio de gestão de resíduos biossanitários da multinacional norte-americana. A aquisição foi concluída em janeiro de 2025 e permitiu à Urbaser reforçar a sua posição na recolha e tratamento de resíduos hospitalares.

O movimento representou uma diversificação da atividade em Portugal, colocando a Urbaser também num segmento especializado, com clientes públicos e privados, incluindo hospitais, clínicas, laboratórios e centros veterinários.

A empresa passou, assim, a combinar diferentes áreas de atuação dentro do mercado de gestão de resíduos, utilizando o M&A como uma das ferramentas para acelerar o crescimento.

2026 trouxe novas operações para a Urbaser

A estratégia manteve-se em 2026. Em março, a Urbaser anunciou um acordo para adquirir uma participação maioritária na EcoAmbiente à IP Holding. A operação marcou a entrada do grupo no segmento de serviços urbanos em Portugal, complementando a presença que já tinha no negócio industrial.

A aquisição foi formalizada em junho, depois das aprovações regulatórias. A EcoAmbiente apresentava mais de 100 contratos em vigor relacionados com recolha de resíduos, limpeza urbana e manutenção de espaços verdes, sobretudo para clientes municipais.

Com a integração da empresa, a plataforma da Urbaser em Portugal passou a contar com mais de 20 instalações, cerca de 1000 veículos e 2000 profissionais.

Também este ano, a Urbaser concluiu a aquisição da Fomentinvest. A empresa adquirida atua na recolha e transporte de resíduos urbanos, limpeza urbana, limpeza de praias, serviços florestais e manutenção de espaços verdes. A AdC classificou a operação como uma concentração horizontal e decidiu não se opor à mesma.

Agora, é a vez da Egeo entrar no radar da Urbaser.

Egeo reforça uma plataforma construída através de aquisições

A sucessão de operações ajuda a perceber a dimensão da estratégia da Urbaser em Portugal.

Em pouco mais de dois anos, o grupo passou por diferentes segmentos do mercado ambiental: resíduos industriais, resíduos perigosos e não perigosos, óleos usados, resíduos hospitalares e serviços urbanos.

A aquisição da Egeo surge, por isso, como mais um passo numa estratégia de crescimento baseada na compra de empresas e na integração de novas atividades na plataforma nacional.

Este tipo de estratégia permite a um grupo internacional acelerar a expansão através de negócios que já possuem operações, equipas, clientes e conhecimento do mercado local.

É também um exemplo de como uma operação de M&A em Portugal pode funcionar como instrumento de crescimento e consolidação de um setor.

Urbaser conta agora com o apoio de Blackstone e EQT

A estratégia de expansão ocorre também num novo contexto acionista para a Urbaser.

Em fevereiro de 2026, fundos geridos pela Blackstone Infrastructure e pelo EQT Infrastructure VI chegaram a acordo para adquirir a Urbaser à Platinum Equity. A operação colocou dois grandes investidores de infraestruturas e private equity na estrutura acionista do grupo espanhol.

Segundo o anúncio da operação, a Blackstone e a EQT pretendem apoiar o crescimento da Urbaser nos mercados onde está presente, num contexto marcado pela expansão da economia circular e pela procura de soluções de gestão de resíduos.

Em Portugal, a sucessão de aquisições mostra já essa estratégia em execução.

O que a expansão da Urbaser revela sobre o M&A em Portugal?

O percurso da Urbaser é também um exemplo de como a aquisição de empresas pode ser utilizada para acelerar a entrada ou expansão num determinado mercado.

Em vez de construir organicamente todas as operações de raiz, um comprador pode recorrer ao M&A para adquirir empresas com estruturas já estabelecidas e, posteriormente, integrá-las numa plataforma maior.

Para os empresários portugueses, movimentos deste género mostram também o interesse que empresas com operações consolidadas podem despertar junto de compradores internacionais.

É precisamente neste universo de compra e venda de empresas, oportunidades de investimento e operações de M&A que se posiciona a Bolsa Portugal Negócios.

Através da BPN, empresários que pretendam vender uma empresa podem apresentar o seu negócio a potenciais compradores, enquanto investidores e empresas podem encontrar oportunidades para reforçar a sua atividade através de aquisições no mercado português.

M&A continua a abrir oportunidades em Portugal

A expansão da Urbaser mostra como a aquisição de empresas pode ser uma ferramenta para acelerar o crescimento, entrar em novos segmentos e consolidar uma posição num mercado.

Para empresas e investidores, o mercado português continua a apresentar oportunidades de M&A, compra e venda de empresas e investimento em negócios com potencial de crescimento.

Na Bolsa Portugal Negócios, empresários que procuram vender uma empresa podem apresentar o seu negócio a potenciais compradores, enquanto investidores e grupos empresariais podem encontrar oportunidades de aquisição no mercado português.

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